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Como a corrida se encaixa na rotina de treinos de outras modalidades

Como a corrida se encaixa na rotina de treinos de outras modalidades

  • Posted by Circuito Rio Antigo
  • On 4 de março de 2014
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Muitos treinadores e profissionais de Educação Física baseiam suas estratégias de treinamento no princípio da especificidade. Para ser bom em uma determinada modalidade esportiva é preciso treiná-la. Mas como ganhar uma boa base aeróbia e um condicionamento físico que permita treinar forte um determinado esporte. A corrida certamente é boa opção, certo? Nem sempre. Até que ponto a corrida é usada por atletas de outras modalidades esportivas para apurar a forma física nos períodos de treinamento de base e no período de competições?

Marios Couto, profissional de Educação Física e diretor-técnico da Vida Mais Assessoria Esportiva, do Rio de Janeiro, explica que, qualquer que seja a modalidade, quanto mais bem condicionado o atleta, maiores suas possibilidades de sucesso.

“Neste sentido, a corrida pode dar uma excelente base aeróbia, que é fundamental para o aprimoramento de outras potencialidades e necessidades técnicas específicas. Podemos usá-la também na parte mais específica do treinamento, de acordo com a característica da modalidade praticada. Em esportes com um caráter mais intervalado como o futebol, lutas em geral e pólo aquático, pode-se utilizar um treinamento de corrida com tiros curtos, intensos e pouco intervalo de recuperação, visando assim otimizar a recuperação do atleta fazendo com que ele consiga executar suas ações com o máximo de sua capacidade por diversas vezes durante a competição”.

Segundo o treinador, nas modalidades mais contínuas, com maior duração, como o ciclismo de estrada, os famosos “longões” vão ajudar para aumentar a resistência aeróbia e manter o corpo em atividade por grandes períodos. Já nos esportes que exigem uma altíssima intensidade durante um determinado tempo, como a natação e o remo – provas de curtas e médias distâncias – pode-se usar tiros longos em alta intensidade e intervalos maiores de recuperação visando preparar o atleta para tolerar tamanho esforço por cada vez mais tempo.

“Neste aspecto, a corrida dá muitas possibilidades se seguirmos o princípio de que é fundamental deixar bem treinado o sistema energético, que vai ser usado em determinado esporte. Ao somarmos a isso a qualidade técnica e tática específicas, as chances de sucesso aumentam bastante”.

A remadora Fabiana Beltrame, campeã mundial em 2011 na categoria single skiff leve, não abre mão da corrida na pré-temporada e na temporada de competições, mas com funções diferentes. No período de base os treinos são fortes com subidas e corridas na areia. Depois, entra como complemento, principalmente para manter o peso. Nos dias de treino livre, Fabiana não abre mão de correr 15K durante uma hora e meia.

Marios Couto acredita que a corrida pode ser usada em qualquer fase do treinamento em qualquer modalidade esportiva, mas com volume e intensidade adequados. “Obviamente, nos períodos de desenvolvimento, deve-se diminuir o volume, dando mais ênfase ao treino técnico/tático específico do esporte em questão. No período de base, para melhorar o condicionamento geral; no competitivo, para manter o condicionamento sem sobrecarregar a musculatura mais utilizada na modalidade; e nas férias ou transição, para diminuir a perda de condicionamento e sair da rotina, o uso da corrida pode ser maior”.

Henrique Avancini, destaque nacional no Mountain Bike, usa a corrida como treinamento complementar na pré-temporada e depois, na fase de competições, como forma de relaxar a mente e conhecer melhor o próprio corpo. Mas o treinador da Vida Mais acredita que o treinamento de corrida vai além. Ele pode ser decisivo mesmo em modalidades em que ela não seja aplicada.

“Acredito que em atletas da mesma modalidade, num cenário de alto nível de treinamento onde a técnica se equivale em muitos dos casos, estar mais bem preparado fisicamente pode ser a diferença entre a vitória e a derrota. Assim, um treinamento forte e adequado de corrida pode ser decisivo. Mas não há duvidas de que a corrida pode  e deve ser usada como uma forma de conhecer melhor o seu corpo. Nos treinamentos da nossa equipe pedimos aos atletas que procurem entender em que ritmo que estão correndo. Que percebam o que seria um ritmo leve, moderado ou forte. Essa percepção intrínseca pode ser atingida através de sensações fisiológicas como frequência cardíaca e ventilação, e dependem um pouco mais dessa maior concentração nos treinos. Além disso, conhecer melhor seu corpo também pode ser uma vantagem em situações de esforço extremo”. 

Certamente era pensando neste ‘esforço extremo’ e nas técnicas de sacrifício do judô, que Flávio Canto, medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de Atenas, em 2004, promovia com os amigos judocas treinos de corrida na praia. Segundo ele eram sessões de tiros e suicídios em clima de competição. Marios Couto lembra que da mesma forma que pode promover relaxamento e diversão, a corrida pode ensinar o corpo a sofrer e tolerar sacrifícios.

“Tolerar o sofrimento é primordial para atletas de alto nível que muitas vezes competem em esforço extremo. Quanto mais contato com situações de grande estresse metabólico, mais estes atletas serão capazes de suportar a dor. Sendo assim, sessões de suicídios, tiros, etc vão promover um ótimo treinamento do sofrimento”

Saiba como alguns atletas de alto rendimento encaram a corrida e como a utilizam – ou por que não utilizam – em suas rotinas de treinos.

Fabiana Beltrame – Remo

“No período de treinamento de base, entre novembro e fevereiro, corro na praia e treino em subidas, como a Vista Chinesa, no Rio. Nos períodos de competição, a corrida entra como complemento de treino. Como sou peso leve estou sempre tentando baixar ou manter o peso. É constante correr depois do treino. Às vezes a corrida é regenerativa após treinos fortes. Algumas vezes a corrida é mesmo uma alternativa ao treino específico, quando o treino é de baixa intensidade. Isso ocorre quando já usamos o ergômetro e não há condições de remar na água.

No domingo, o treino livre, ou seja, qualquer treino de média intensidade que não seja remar. Então na maioria das vezes eu corro 15K em uma hora e meia. Em novembro fiz os 10K da Corrida Eu Atleta, no Rio, em 44:40.”

Henrique Avancini – MTB

“Uso a corrida como treinamento complementar, principalmente no começo da pré-temporada. O volume não é muito alto e varia de 20 a 50 minutos no máximo três vezes na semana. Uma boa parte destes treinos é feita em terreno cross-country. Durante a temporada de competições a corrida serve apenas como aquecimento antes dos treinos de musculação e potência.

Gosto muito de correr e creio que durante a corrida conseguimos escutar profundamente o nosso corpo”

Rebeca Fonseca – Ciclismo de Estrada

“A corrida entra no período de treinamento de base já que é um esporte de grande impacto na musculatura. Os treinos são focados nas corridas de fundo, até 10K. O dia em que pratico ciclismo, não corro e vice-versa, sendo assim, os treinos são intercalados. Como meu foco são as provas longas de ciclismo os treinamentos são longos e específicos, especialmente no início do ano. Então não pratico corrida.

Adoro correr, já que praticava futebol também em alto rendimento. A corrida me ajuda a aliviar o estresse, a fadiga, principalmente por que passo o ano inteiro competindo ciclismo, respirando ciclismo. Chega um momento em que o cansaço bate e é preciso recuperar o fôlego e o psicológico.”

Flávio Canto – Judô

“A corrida sempre foi parte integrante da minha preparação física. Pelas características do judô (lutas de 5 minutos) não corria distâncias muito grandes com foco no treino aeróbico. Era comum dar tiros de no máximo cinco minutos, fazer treinos intervalados e regenerativos. Já corri na neve, na praia, na montanha, em cidades históricas. Pra mim sempre foi um ritual chegar num novo lugar, sair do avião e dar uma corrida.

Os treinos de corrida nos períodos de competição tinham função regenerativa. Na pré-temporada eram mais frequentes. Adorava fazer essa fase na praia. Havia um grupo grande de atletas na mesma ‘batida’ e sempre treinávamos competindo e nos divertindo. No começo eram meus amigos de treino e mais pra frente meus alunos do Instituto Reação. Meu preparador físico sempre gostou desse tipo de treino. Fazíamos tiros, suicídio, saltos, tudo que fizesse sofrer.

Hoje gosto mais do correr do que quando era atleta. Passou a ser minha atividade física mais frequente pelo prazer que me dá e pela praticidade. Nas férias corria para manter o condicionamento, hoje corro para manter a forma.

Já participei de algumas corridas de rua. Apresento um programa de TV que tem um circuito de corridas noturnas, chamado “Circuito Corujão”, com provas de 5 e 10K. Nunca havia corrido uma prova oficial e fiquei surpreso com o número de participantes e a ‘vibe’ de todos. Crianças, idosos, famílias… Muito bacana. Gosto da idéia da disputa pessoal de cada um na prova e ao mesmo tempo de todos apoiando todos.

Corro três ou quatro vezes por semana, entre 5 e 6K. Adoro correr na praia, no calçadão ou na areia. Tenho curtido correr na praia do Leblon até Ipanema. Há uma academia montada pelos moradores do Cantagalo no final da praia, com pesos de cimento e ferro. Gosto de correr até lá, malhar com o pessoal e voltar correndo”.

Marcelo Belotti – Vela

“A corrida é a modalidade mais frequente no meu treinamento. Pratico no mínimo três vezes por semana. São 7K numa média de 12km/h. Nos dias de maior disposição estico para os 10km de distancia e tento manter a mesma média de velocidade. É basicamente rodagem, complementando com ciclismo e natação. Gosto muito de correr e a corrida funciona também como uma terapia para mim, além de ser uma modalidade de esporte extremamente prática.

Corri uma vez a “Track & Field”. Uma experiência ótima, gostei muito!”

Gustavo Guimarães (Grummy) – Pólo Aquático

“Nem sempre usamos a corrida como parte do treinamento, só eventualmente. Um dos técnicos estrangeiros que veio trabalhar com a seleção brasileira usou bastante. Servia tanto para aquecimento como para condicionamento com volume e intensidade variados. O técnico croata Goran Sablic trabalhou com a seleção entre 2010 e 2012. Corríamos longas  distâncias no início de preparação. Uma ou duas voltas na Lagoa Rodrigo de Freitas.

Acredito que a corrida faça com que o atleta fique em forma mais rápido, ganhando condicionamento físico. Acho que com a corrida, depois de um longo tempo de inatividade, o atleta retorna à sua condição física esperada com maior facilidade. Também é a melhor forma de perder peso.”

Daniel Friedman – Surfe

“Normalmente corria um ou dois meses antes das competições. No exterior costumava correr diariamente para melhorar o preparo. Coria de 3 a 4K por dia, muitas vezes na areia. Mantinha uma mesma cadencia e treinava o controle da respiração. Alterava os treinos de cadência com piques de explosão na fase final dos percursos. Mas sempre finalizava em uma cadência menor, para ao término estar recuperado. Durante a fase competições as corridas eram suspensas

Gosto de correr, mas tive uma lesão no joelho que me incomoda em longas distâncias. Sempre usei a corrida como forma de recuperar o preparo. Acho ótimo e sempre me fez bem.”

1 Comments

Raphael
Legal a matéria.

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