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PCERJ Runners aproxima a instituição da sociedade através das corridas

PCERJ Runners aproxima a instituição da sociedade através das corridas

  • Posted by Circuito Rio Antigo
  • On 4 de março de 2014
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Dia 29 de setembro comemora-se o Dia do Policial.  Um grupo de cerca de 80 policiais civis do Rio de Janeiro já se prepara para comemorar a data correndo. Criada em maio de 2011, a equipe de corridas de rua da Polícia Civil do Rio (PCERJ Runners) está presente em quase todas as provas do Rio, atraindo a atenção de quem ainda tem um certo preconceito de quem ainda tem algum preconceito sobre o estilo de vida destes profissionais.

Wilson Duarte, inspetor de polícia há 32 anos e corredor há 15, foi o precursor da ideia, que surgiu no I Desafio da Paz do Complexo do Alemão.

“A corrida é um esporte cada vez mais popular. Todos querem vincular sua imagem a elas e eu pensei que a Polícia Civil poderia fazer o mesmo. Na minha visão era preciso que vissem a Policia Civil não só em atos de combate à violência. A instituição também poderia ter uma visibilidade positiva através do esporte. E a corrida de rua é perfeita por ser um esporte totalmente democrático”
, conta o inspetor, que hoje se dedica a provas de montanhas e longas distâncias.

Mas Duarte sabia que não seria fácil convencer companheiros de instituição e mesmo sua chefia a criar uma equipe. O primeiro passo foi convidar para o Desafio da Paz o também inspetor Sérgio Figueiredo, profissional de Educação Física e hoje coordenador da PCERJ Runners.

“Ele logo aceitou e o duro seria convencer outros colegas, buscar a autorização da instituição e entrar em contato com a organização da prova. Tudo isso em uma semana. Entrei em contato com a Chefia, que deu a autorização e disponibilizou as camisas. Driblei os entraves burocráticos e articulei o apoio que precisava. Camisas, ônibus e escolta estavam garantidos. Paralelamente a isso, com o apoio do Sérgio e de outra colega corredora, a comissária Lucia Helena, – convocamos os policiais para a corrida. Alguns perguntavam o que iriam ganhar com aquilo, mas no dia da corrida 20 policiais civis estavam presentes.Nascia ali, em 28 de maio de 2011, no Complexo do Alemão a PCERJ Runners”
.

O sucesso da iniciativa do inspetor Wilson Duarte fez com que o treinamento de corrida fosse incorporado ao programa da Academia de Polícia do Rio (Acadepol). Desde então Sérgio Figueiredo é o coordenador da equipe, organizando a equipe para as provas e prescrevendo os treinos, que acontecem na maioria das vezes na Quinta da Boa Vista. “Participamos daquela prova no Complexo do Alemão com muito orgulho por que estávamos num ex-campo de batalha. Mas naquele momento não estávamos combatendo, mas exercendo cidadania. Hoje, mesmo com dificuldades, me orgulho de coordenar esta equipe”.

Sérgio Figueiredo lembra que foi preciso um trabalho de paciência e muita perseverança – qualidades indispensáveis ao bom policial – para convencer os amigos de polícia a correr. O boletim interno e o ‘boca a boca’ foram as principais ferramentas usadas. “Encontramos muita resistência, natural do policial civil, mas aos poucos a equipe foi crescendo”, conta Sérgio, lotado no Esquadrão Antibombas da Coordenadora de Recursos Especiais (CORE).

Com uma escala de trabalho de 24h por 72h é quase impossível reunir toda a equipe em treinos e provas. Para isso, Sergio criou um programa de fidelidade e usa as redes sociais. Assim consegue estimular os atletas da equipe a treinar em grupo ou mesmo individualmente. Mas talvez o grande estímulo para estes policiais corredores esteja na forma com que são vistos ou recebidos nas provas. “O público em geral se surpreende ao saber da existência de uma equipe de corrida somente de policiais civis. Nas competições e nos treinos, muitos se surpreendem quando percebem que somos policiais, através de nosso uniforme e da tenda”, conta Sérgio, lembrando que as camisas e a tenda foram doadas pela Equipe Márcia Ferreira através de seu patrocinador.

Relações públicas. Sérgio explica que o papel desempenhado hoje pela PCERJ Runners vai além da corrida, mesmo que informalmente. Segundo ele a vida de um policial civil não é fácil e isso não um fato recente.

“Infelizmente nada está a nosso favor. Há muito tempo a sociedade de um modo geral só quer o policial por perto quando está em apuros. Depois que o sufoco passa, quer a polícia distante. Com o esporte conseguimos mudar um pouco este cenário. A cada treino ou prova fazemos novos amigos, por que as pessoas vêem que somos pessoas comuns, temos famílias, praticamos esportes. Nossa tenda nas provas fica sempre cheia de convidados. Indiretamente fazemos um trabalho de Relações Públicas para a Polícia Civil. A cada competição que participamos, a cada pódio conquistado, mostramos uma boa imagem para a sociedade”.

Mas nem de longe a presença da PCERJ Runners nas corridas é apenas uma questão de relações públicas. Quem está na equipe que correr cada vez melhor, cada um dentro das suas possibilidades e objetivos. Não há uma prova no Rio sem ao menos a presença de um atleta da equipe no pódio por faixa etária. As histórias de superação também existem. Uma delas do próprio inspetor Wilson Duarte, fundador da equipe, serve de inspiração para alguns atletas. Há 15 anos correndo, o inspetor gosta de fazer provas longas, especialmente maratonas e provas de 50K em trilhas. Já são muitas no currículo e a motivação vem de uma história pessoal, que poderia derrubar qualquer um, mas, no caso do policial é de onde tira forças para seguir em frente.

“A corrida tem um motivo muito especial na minha vida atualmente. Em 2013, aos 20 anos, minha filha faleceu de um câncer cerebral. Dedico todas as provas a ela e me emociono em todas as chegadas. A corrida me ajuda muito a ter força para superar essa perda”
, conta o inspetor.

A comissária Lúcia Helena Boscarino está na Polícia Civil desde 1989, quando entrou como escrevente. Corredora desde 2002, Lúcia é uma das integrantes mais ativas da equipe e fez algumas maratonas e ficou feliz com 11º lugar no ranking de Maratonistas da Contra-Relógio. “A possibilidade de o policial estar num ambiente agradável e lúdico, faz com que tenhamos prazer em fazer parte da equipe. Hoje formamos uma grande família com todos os níveis de corredores, participando em mais de quarenta corridas oficiais por ano, em nível regional, nacional e internacional, porém contaminado com o mesmo prazer e satisfação de estarmos sempre juntos apoiando uns aos outros. Fazer parte desse grupo reflete alegria e segurança, dando uma grande visibilidade para a instituição. Mostramos ao cidadão o orgulho que temos em carregar do lado esquerdo de nosso uniforme o brasão da Policia Civil do Estado do Rio de Janeiro”, diz Lúcia Helena. 

O auxiliar policial de necropsia Paulo Antonio Moraes, também fundador da PCERJ Runners, é sempre um dos mais animados da equipe. Moraes é um personagem conhecido nas corridas de rua do Rio. Está presente em quase todas as provas – sempre que possível mais de uma no mesmo dia – e também tem fotos em centenas de perfis de redes sociais, com centenas de atletas. Chega a ser apontado por muitos como o maior ‘fominha’ de corridas do Rio. “Sigo a equipe desde sua primeira convocação. É um imenso prazer estar com os amigos de instituição correndo e também com outros amigos corredores. Estou muito feliz por ter trazido muitos amigos policiais para a equipe, embora todos eles hoje estejam correndo mais do que eu”, diz corredor, com seu o marcante bom humor.

Também auxiliar de necropsia, Sidney Motta conheceu a equipe por acaso ao procurar a Academia de Polícia para fazer musculação. Começou o aquecimento com os corredores e não parou mais. “Bastou eles me inscreverem na primeira prova de 5K para a corrida entrar no meu sangue. Depois vieram os 10k, os 21k e este ano a minha primeira maratona”, diz o agente.

Wilson Duarte resume bem o que significa unir duas atividades que envolvem dedicação e coragem. “É um caminho sem volta. Nunca deixaremos de treinar e, com isso, levaremos orgulhosos o nome da PCERJ no peito. Vejo no esporte uma importante ferramenta de aproximação com a sociedade, desmitificando a carreira policial como violenta e problemática”.

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