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Corredores x Corredoras: teoria e prática nem sempre andam juntas

Corredores x Corredoras: teoria e prática nem sempre andam juntas

  • Posted by Circuito Rio Antigo
  • On 29 de janeiro de 2015
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Por Paulo Prudente

Disciplina, resistência à dor, superação, foco, competitividade e solidariedade são palavras que fazem parte do imaginário das corridas de rua e que estão nas rodas de bate de papo de corredores e corredoras. Ninguém duvida de que para ser um bom corredor é necessário ter todas essas características ou compensar a ausência de uma delas fortalecendo outra. Hoje o universo das corridas de rua não pertence aos homens ou às mulheres. Tanto um corredor quanto uma corredora precisam desenvolver estas habilidades se quiser melhorar sua performance. Mas quem leva vantagem? Depende, por que a teoria nem sempre se confirma na prática.

A teoria
Para a corredora, psicóloga e coach esportiva Vanessa Protásio, há diferenças e semelhanças entre homens e mulheres na relação com o esporte. Mas Vanessa – que em 1982 venceu a Corrida da Ponte e a Maratona do Rio – alerta sobre o perigo de generalizar comportamentos.

“É uma forma perigosa de analisar questões, sobretudo relacionadas ao gênero. É preciso levar em consideração que nem todos os homens adotam comportamentos ditos como masculinos e com as mulheres ocorre o mesmo. De qualquer forma, regra geral, os homens têm uma visão e um comportamento mais objetivo e pragmático, utilizando o exercício como um ponto de força e de maior poder. Já as mulheres, pela própria natureza feminina, são as mais diversificadas em qualquer plano, e querem cada vez mais mostrar competências através de novas oportunidades, utilizando o contato com o esporte como uma alternativa”, explica Vanessa.

Disciplina
Os homens tendem a ser mais disciplinados em relação aos compromissos, já que assumem uma postura de investimento na saúde, conseguindo, assim, seguir regras e se mantendo presente nos treinos e no controle alimentar. As mulheres em geral, para atender às inúmeras necessidades particulares, precisam transformar a planilha e fazer adaptações para conseguir dar continuidade aos treinos.

Resistência à dor e superação
Historicamente os homens buscam o símbolo da força para demonstrar segurança e poder. O exercício físico tem a proposta de testar limites, e segue a ideia de que se alcança a superação através do uso da força. Isso significa que os homens acabam estando mais preparados, tanto física quanto emocionalmente.

Foco
Quem se mostra com maior foco é o homem, já que sua percepção está voltada para o cumprimento de tarefas e objetivos, buscando sempre um resultado positivo dentro da rotina de sua vida. Ele consegue incluir em seu planejamento diário uma conquista saudável. Já a mulher tem maior tendência a perder a concentração devido ao fato de se dividir constantemente entre múltiplas ações, tendo que concluir com satisfação a maioria de suas escolhas.

Competitividade
No contexto de uma corrida, o homem apresenta um maior nível de competitividade, com uma preocupação em melhorar seu tempo, e tende a se comparar com outros do mesmo grupo de idade. Isso pode ser explicado por fatores históricos: como os homens caçavam em grupos, tinham que aprender a trabalhar dessa forma. A característica, na altura imprescindível para viver, acabou sendo adotada geneticamente por meio da seleção natural, explicando as razões pelas quais até hoje o sexo masculino apresenta traços de competitividade mais acentuados.

Solidariedade
O homem que pertence a um grupo de corrida costuma se sentir parte integrante deste time, assim, durante uma competição pode alterar sua estratégia e apoiar um companheiro que necessita de ajuda. Por outro lado, a mulher se apresenta mais solidária continuadamente, sobretudo quando se identifica com quem está necessitando de apoio e se move a partir do estado de compaixão.

A prática
Na prática a história pode ser outra. Ouvimos alguns treinadores de corrida, que baseados na experiência com seus atletas disseram a quem mais se aplica cada uma dessas características: corredores ou corredoras. Não há regra e a resposta nem sempre é objetiva e algumas vezes dependem diretamente da personalidade de cada um e não do fato de ser homem ou mulher. Mas uma coisa é certa: na prática, nem sempre a teoria se confirma.

Disciplina
Para Manuel Lago, da ML Mix Run, no caso de amadores, a disciplina está muito relacionada à ocupação profissional do corredor, embora não seja uma regra.

“Os grande executivos são extremamente disciplinados e abrem mão do descanso – não das reuniões! – e realizam seus treinos 100%. Obviamente isso não é uma regra, mas percebo isso entre as pessoas que eu treino”.

Marcelo Duarte diz que na MD Runners há casos específicos de corredores homens muitos disciplinados. Mas de uma forma geral as mulheres são as que mais seguem as planilhas, embora dêem algum trabalho.

“Se eu fosse eleger apenas um ou dois mais disciplinados diria que são os homens! Porém se for avaliar de uma forma geral, a média diz que as mulheres são mais fiéis ao que foi determinado nas planilhas, mas elas também de maneira geral são aquelas que mais dão desculpas”.

Resistência à dor e superação
Segundo Manuel Lago, na rotina diária de treinos de sua equipe ele pode observar que as mulheres reclamam menos das dores que os homens. A explicação não é científica, mas interessante.

“Não percebo isso nas provas, mas no cotidiano de treinos. Acho que suportar a dor esteja intrínseco nas mulheres pelo fato de que elas é que dão à luz”, diz o treinador.

Marcelo Duarte lembra que a dor é subjetiva, o que torna complicado comparar a resistência entre os indivíduos. No entanto, Duarte explica que fisicamente, o homem é naturalmente mais forte. E psicologicamente, a mulher é naturalmente mais sensível.

“A dor é muito subjetiva e dificilmente poderemos comparar pessoas. Mas geralmente o homem suporta mais quando a parte física é exigida devido à composição corporal e níveis de hormônios. A mulher é sempre mais sensível. Às vezes, até para dar um puxão de orelha no treino ou durante um planejamento de ciclos para provas, precisamos ter cuidado para não ‘magoá-las’. Por outro lado, as mulheres dão belos exemplos de superação. O homem, normalmente, se não está preparado para um desafio, ele nem tenta. Já a mulher acaba desafiando a si própria”.

Foco
Treinadora da Equipe OTREINO, Luciene Cury não vê grandes diferenças no foco de corredores e corredoras. Mas admite que por conta da quantidade de afazeres, o foco das mulheres acaba sobressaindo.

“Ser mãe, mulher, empresária, muitas vezes faz com que seja complicado ajustar os horários e encaixar os treinos. Não é raro que eles sejam feitos na hora do almoço. Minha experiência como treinadora diz que vale muito o comprometimento, o desejo e a realização. É preciso ter perseverança, garra e atitude”, afirma Luciene.

Marcelo Duarte acrescenta que há entre os homens e entre as mulheres aqueles que correm quando dá e também aqueles que encaixam a corrida da mesma forma que fazem com o trabalho e a família.

“Temos o grupo do ‘se der eu vou’ e o grupo que encaixa a corrida no seu cotidiano. Este grupo terá uma grande vantagem em qualidade de treinos e obtenção de resultados”.

Competitividade
Para Walter Tuche a competição não acontece entre os sexos, embora reconheça que os homens não gostam de ser vencidos por mulheres.

“A competição maior está entre os indivíduos do mesmo sexo. Nesse caso as mulheres são mais competitivas que os homens”, diz o treinador.

Manuel Lago faz coro e garante que muitos homens competem entre si e até com as mulheres.

“Os homens não admitem ficar atrás de mulheres nem nos treinos. Eu mesmo fico alfinetando meus alunos que perdem para as mulheres. As mulheres são competitivas entre elas. Os homens são entre eles e muito com as mulheres”, diz Lago.

Solidariedade
Antonio Caputo, treinador da Speed Corridas, lembra que a aptidão física faz com que o homem seja solidário nas provas. Diferentemente das mulheres que durante os treinos se mostram solidárias com os companheiros de equipe.

“O homem é capaz de um bom resultado numa prova para ‘resgatar’ um companheiro de equipe”, diz Caputo.

Na MD Runners o lema é “A prova ou treino só termina quando todos chegarem”. E segundo Marcelo Duarte não é um mero slogan. A solidariedade existe de fato, entre corredores e corredoras.

“Aqui na equipe, neste ponto não há diferença entre homens e mulheres. Eles abrem mão de fazer o tempo planejado para acompanhar alguém que esteja mais lento, com dificuldades. Ou mesmo que esteja estreando naquela distância. É perfil da nossa equipe”.

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