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Avaliação Médica Pré-Participação (APP)

Avaliação Médica Pré-Participação (APP)

  • Posted by Circuito Rio Antigo
  • On 5 de fevereiro de 2015
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Entenda por que ela é importante e vai além de uma simples consulta com seu médico de rotina

Por Dr. João Felipe Franca – joaofelipe@clinimex.com.br

Membro Titular da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte

Médico da Clinimex – Clinica de Medicina do Exercício –www.clinimex.com.br

Os benefícios que os exercícios físicos trazem para a saúde já estão mais do que estabelecidos e demonstrados através de diversas pesquisas. Quase todas as pessoas, em todas as faixas etárias, podem se beneficiar de algum tipo de exercício físico. Porém, com o número cada vez maior de pessoas que participam de programas de exercícios físicos, seja como lazer ou tendo como objetivo participar de competições, uma população de risco pode estar sujeita a complicações causadas por exercícios físicos que seriam contra-indicados naquele momento.

Dentro deste contexto, a avaliação pré-participação (APP) funciona como um “check up” médico antes de iniciar o programa de exercício, avaliando se a pessoa examinada está apta a realizar determinado exercício com segurança. Ela deve responder a duas perguntas principais:

1 – este indivíduo está saudável para a prática desportiva?

2 – Esta prática desportiva pode ser melhorada? Um indivíduo fisicamente apto deve ter equilíbrio entre todos os componentes da aptidão física (composição corporal, flexibilidade, potência muscular, equilíbrio e condição aeróbica) como também resultados dentro ou melhores do que o esperado para a faixa etária e gênero.  A primeira pergunta é bastante importante se levarmos em conta a ocorrência de morte súbita (MS) relacionada ao exercício. Trata-se de um evento raro – não há números confiáveis, mas estima-se que cerca de 90% das vítimas de MS possuam cardiopatia conhecida ou não diagnosticada. Um dos maiores cardiologistas americanos, Dr Barry Maron diretor do NHI (National Health Institute) de Bethesda, mostrou que com menos de 35 anos tem ocorrido uma morte súbita em cada 200 mil esportistas e acima de 35 anos a incidência foi de uma morte para cada 50 mil praticantes. Não se trata de nenhuma epidemia, como relatou, mas o fato de atletas mais velhos estarem participando de competições, elevou os riscos. Mesmo raros, quando acontece um caso de morte súbita no esporte de alto nível causa grande impacto na mídia. Basta lembrar do caso do zagueiro Serginho, do São Caetano, em 2004, ou de Marc Vivien-Foe, jogador da seleção de Camarões, na Copa de 2006. Esses eventos chocam por acometerem pessoas jovens e atletas, que são tidas como a parcela mais saudável da população.

Um dado importante é que a avaliação clínica deve ser a mais individual possível e variar de acordo com os recursos disponíveis, o objetivo a ser alcançado (lazer, perda de peso e controle de outros fatores de risco coronariano, controle do estresse, competição a vários níveis ou reabilitação cardiovascular) e o poder aquisitivo do avaliado. Seja qual for o objetivo, a avaliação clínica para a prática de esportes deve visar a segurança do participante, que muito dificilmente estará inapto totalmente para a prática de todo e qualquer tipo de exercício físico. Logicamente, os portadores de doenças agudas – ou em fase de descompensação – deverão primeiramente ter resolvido os seus problemas de saúde para depois iniciarem a prática de exercícios fiscos.

Segundo uma diretriz da Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte, a avaliação pré-participação (APP) é recomendável para todos os indivíduos que praticam exercícios físicos – de caráter competitivo ou não. Um dos pontos fundamentais na aplicação da APP é a relação custo x benefício desta intervenção. A avaliação clínica pré-participação deve constar de uma anamnese precisa, valorizando a história patológica pregressa, presença ou não de sopros cardíacos ou de pressão arterial aumentada ou de uso de qualquer medicamento cronicamente, história familiar de arritmias, de morte súbita prematura e/ou de cardiopatias, principalmente a cardiomiopatia hipertrófica e a Síndrome de Marfan, a história social e os hábitos de vida. Na história pessoal, devem ser cuidadosamente pesquisados sintomas como síncope inexplicável, em repouso, durante ou imediatamente após o esforço, dor torácica e dispnéia inexplicável ou desproporcional ao grau de esforço físico realizado. Uma forma de

quantificar a dispnéia ou fadiga é compará-la à de seus companheiros de equipe. Em nosso meio é importante a investigação de doença de Chagas, principalmente, se levarmos em conta o grande contingente de pessoas que migram de zonas endêmicas para os grandes centros em busca de maiores oportunidades, o que ocorre também no caso de indivíduos que querem se tornar atletas. O exame físico deve ser minucioso e, no que tange à questão da morte súbita no exercício e no esporte (MSEE), com ênfase para o aparelho cardiovascular.

Alguns exames complementares também podem ser bastante úteis na APP. De fato, o Comitê Olímpico Internacional e a Sociedade Européia de Cardiologia recomendam o uso do eletrocardiograma de repouso (ECG) na avaliação pré-participação de TODOS os atletas. Essa recomendação baseia-se num programa do governo italiano que há 25 anos exige que todas as pessoas entre 12 e 35 anos que pratiquem de forma organizada esportes individuais ou coletivos sejam avaliadas anualmente por um médico do esporte (incluindo um ECG de repouso na avaliação).

Embora seja uma experiência única, o programa italiano mostrou-se eficaz na detecção de doenças cardíacas em atletas, que eram então afastados do esporte competitivo. Em algumas regiões do país, houve queda de até 90% na incidência de morte súbita por eventos cardiovasculares ligada ao esporte. Parece bom? Com certeza. Então seria possível – e, principalmente, sensato – “exportar” o modelo italiano para outros países? Nesse caso, a resposta não é tão simples. E é isso que veremos a seguir.

Embora existam alguns consensos elaborados por especialistas, não existe um modelo  único de APP. Os procedimentos realizados variam principalmente em função de quem paga pela avaliação e de quanto se pode pagar. A NBA, por exemplo, realiza ECG e ECO de seus atletas anualmente, enquanto o Comitê Olímpico Americano utiliza a história clínica e exame físico, recorrendo a outros exames somente quando necessário – conduta que também é adotada pela maioria dos colégios e universidades nos EUA.

Ao contrário do Comitê Olímpico Internacional e da Sociedade Européia de Cardiologia, a Associação Americana do Coração (AHA – American Heart Association) não recomenda o uso do ECG na avaliação em massa de atletas. A instituição reconhece que se trata de um exame que pode trazer benefícios e melhorar a acurácia da APP na detecção de doenças que coloquem o atleta em risco, mas não acredita que ele seja aplicável em larga escala. E a principal razão seria, claro, financeira.

Na verdade, a relação custo-benefício de uma investigação com exames complementares complexos tem sido bastante questionada mundialmente; entretanto, há um consenso entre todas as sociedades médicas mundiais de que uma anamnese detalhada e um exame físico apurado com ênfase para o aparelho cardiovascular, numa avaliação pré-participação, são mandatórios, independente da faixa etária. É importante lembrar que a anamnese e o exame físico são apenas um “screening”, ou seja, caso seja detectada alguma anormalidade, o indivíduo deve prosseguir a investigação com um especialista em medicina do exercício e do esporte que solicitará, provavelmente, exames médicos complementares.

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