Inscreva-se para Circuito Rio Antigo
* = campo obrigatório

powered by MailChimp!
Últimos Tweets

Os benefícios técnicos e psicológicos dos treinos em pista

Os benefícios técnicos e psicológicos dos treinos em pista

  • Posted by Paulo Prudente
  • On 23 de março de 2015
  • Comments

O carioca Marcelo Sierpe começou a correr em 1979, então com 13 anos. No ano seguinte teve seu primeiro contato com uma pista de atletismo, no Estádio Célio de Barros. Na oportunidade, teve a honra de dividir a pista com os velocistas João Batista Eugênio e Robson Caetano da Silva, que iriam se tornar atletas olímpicos. Sierpe conta que seus melhores resultados em provas de 5 e 10k foram exatamente em que os treinos de pista eram mais regulares.

“Não tenho qualquer dúvida da importância dos treinos em pista. Os meus recordes pessoais, pelo menos em corridas de até 10k, foram no período em que pude treinar regularmente em pista”, conta Sierpe, que atualmente treina duas vezes por semana na pista externa do Estádio Olímpico João Havelange, o Engenhão. 

Para Jorge Augustinis, o Filé, que durante anos treinou Márcia Narloch e hoje treina uma equipe de alto rendimento, o treinamento de pista é essencial para os atletas que buscam sempre melhorar sua performance.

“Somente numa pista o corredor aprende a dar um determinado ritmo à sua corrida. Os treinos de velocidade, os intervalados devem ser feitos em local adequado. Somente assim o corredor e o seu treinador têm o tempo real de corrida. Qualquer corredor de elite que quer buscar o pódio deve saber dominar o seu ritmo de prova. Numa escala menor isso também serve para os amadores. É fato que todo atleta que aprimora sua corrida na pista saberá o que fazer numa prova de rua em percurso plano”, garante o treinador, que reconhece as dificuldades dos treinos em pista no Rio de Janeiro.

Os irmãos Victor e Arthur Cortez praticam triatlon e sempre que podem optam por fazer os treinos de velocidade e educativos na pista do Engenhão. Victor confessa que ficou deslumbrado quando pisou pela primeira vez na pista do Estádio Célio de Barros.

“Pensava que só os profissionais corriam em pista. Quando entrei a primeira vez no Célio de Barros fiquei olhando o piso, as marcações, a arquibancada… Foi amor à primeira vista”, diz Victor.

O triatleta explica que além dos benefícios naturais do treino em pista, como marcação confiável, piso adequado, concentração e segurança, há também os benefícios subjetivos.

“Acho menos provável ir pra rua e encontrar corredores que estejam fazendo o mesmo percurso e num ritmo parecido com o seu. Na pista, já no aquecimento dá para ver quem está fazendo tiro de 400, 800 e em que ritmo. Aí é só se juntar e puxar um pouquinho mais. O treino sempre é mais puxado”, conta Victor.

O irmão Arthur faz coro e acrescenta.

“Somos triatletas e sabemos que treinar corrida com corredores faz diferença. Mas treinar corrida com corredores em pista de corrida é sem dúvida a melhor opção para quem busca performance. Mesmo nos casos de provas longa as pistas ajudam. Usei-as durante a fase de treinos para o Ironman para não perder velocidade”, diz o triatleta.

Júnior Cordella, treinador de triathlon, explica que a pista facilita o trabalho entre corredor e treinador e sugere que os triatletas incluam os treinos de pista em suas planilhas.

“Na pista o treinador pode observar o atleta durante todo o treino. No caso do triátlon, a pista possibilita ao atleta melhorar sua técnica de corrida e variar o piso. Se a prova alvo for um short triátlon, sugiro até dois treinos em pista por semana. Certamente o atleta vai ganhar velocidade e aprimorar o seu ritmo de prova”, afirma Cordella.

Com boa experiência em pista, Marcelo Sierpe garante que estes treinos ajudam na evolução de corredores de fundo, meio-fundo e os de velocidade. Com volume semanal de 85km, Sierpe usa a pista duas vezes por semana para os 15 tiros de 400m e cinco de 1.000m.

“A pista é o local ideal para este tipo de treinamento, pois as distâncias podem ser percorridas com bastante precisão em um terreno perfeitamente regular. Desta forma, podemos acompanhar claramente a nossa evolução. Outra vantagem é que na pista temos marcações que nos permitem acompanhar a nossa passagem pelo menos a cada 100m, o que nos faz ganhar mais percepção de ritmo e maior constância. Como na pista  não existem obstáculos naturais, como buracos e raízes de árvore, diminui-se muito o risco de torções e facilita o desenvolvimento da coordenação para correr”, diz o corredor.

Mesmo os ultramaratonistas não abrem mão de um bom treino em pista. Cabo da Marinha e vencedora da Ultramaratona 24h dos Fuzileiros Navais em 2012, 2013 2 2014, Denise Paiva chega a dar 500 voltas na pista numa prova com este perfil. E os treinos de pista também servem para treinar a mente.

“Além de trabalhar o ritmo, os treinos intervalados em pista servem para aprimorar o lado psicológico já que vou para a pista duas vezes por semana e rodo em média 12k em cada dia“ diz Denise.

Corredor desde 2007, Marcos Zamith experimentou a pista há menos de um mês e mesmo sem utilizar o calçado adequado para o tipo de piso superou todos os seus tempos em treinos similares no asfalto.

“Gostei muito. A confiança no piso aumenta a sensação de segurança. Acho que também o amortecimento e a aderência ajudam a melhorar a performance. Todos os tempos que fiz foram inferiores a qualquer outra tentativa no asfalto. Sem contar a interação com atletas que tem um alto entendimento da corrida. Só de olhá-los treinando já se absorve algo de útil. Dá vontade de treinar ali o dia inteiro”, confessa Zamith.

Essa interação também ajuda a atrair Victor Cortez para os treinos de pista. Afinal, melhora de performance não é tudo no mundo das corridas. Que corredor não gosta de uns bons minutinhos jogando conversa fora com outros corredores?

“A não ser que seja aquele treinão da assessoria ou que você sempre corra acompanhado, na rua é difícil encontrar aquele amigo bem no final do treino para um bate papo antes de ir embora. Na pista, mesmo quem termina o treino antes fica um pouco mais soltando, alongando…“ diz Victor.

O irmão Arthur vai mais longe e mostra que nas pistas todo o corredor está em seu habitat natural, livre de piadinhas e de zombarias.

“Ali não tenho vergonha de ser corredor. Na rua já fui chamado de maluco devido à velocidade em que corri entre os carros e as pessoas. Já ouvi piadinhas quanto ao tamanho dos shorts. Tudo bem que já estamos acostumados e até achamos graça. Mas é deselegante, não?”, completa Arthur.

0 Comments

Leave Reply

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *