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Anti-inflamatórios: use e não abuse

Anti-inflamatórios: use e não abuse

  • Posted by Circuito Rio Antigo
  • On 6 de agosto de 2015
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Recorrer a antiinflamatórios para prevenir e aliviar a dor é algo comum entre os corredores. Muitos usam os medicamentos indiscriminadamente mesmo sem qualquer sinal de dor ou lesão. Mas uma pesquisa publicada recentemente pelo Centro Médico Erasmus, da Holanda, aponta para um maior risco de arritmia cardíaca entre os que usam estes medicamente rotineiramente.

O estudo acompanhou, desde 1990, a saúde cardíaca de 8.423 pessoas com 55 anos ou mais. Os pesquisadores descobriram que a chance de desenvolver fibrilação atrial é de 84% em usuários de antiinflamatórios e analgésicos.

Em alguns lugares, o uso abusivo dos medicamentos pelos corredores é motivo de preocupação até entre os organizadores de provas. Na Maratona da Disney, este ano o manual do corredor, que veio no kit, tinha informações importantes sobre o tema.

“Excetuando o paracetamol, evite o uso de antiinflamatórios nas 24 horas anteriores até seis horas após provas de meia maratona em diante. Caso precise usá-los fora deste intervalo mantenha-se sempre muito bem hidratado e sempre reponha sódio. No pós-prova, só os utilize após urinar desde que a urina esteja clara. Respeite sempre os sinais de seu corpo”, dizia o manual.

O cardiologista Fabrício Braga correu a prova e alerta para o uso de medicamentos sem orientação médica, principalmente no caso de quem pratica atividades físicas intensas, como os corredores, que expõe o corpo a condições extenuantes. No caso dos antiinflamatórios, efeitos colaterais como hiponatremia (redução dos níveis de sódio no organismo) e insuficiência renal, podem ganhar proporções ainda mais perigosas.

“Os antiinflamatórios não hormonais, classe de medicamentos que inclui desde o paracetamol e dipirona até o ibuprofeno e celecoxibe (celebra), cuja grande parte é vendida sem receita médica. Ingeridos em condições de estresse físico podem ter seus efeitos colaterais exacerbados. Atividade física prolongada leva a uma perda considerável de água e sódio no corpo. Na presença da maioria desses medicamentos, a perda de sódio é exacerbada podendo acarretar sintomas como náuseas, vômitos e confusão mental. Todos esses medicamentos promovem uma alteração temporária no fluxo sanguíneo renal, que em pessoas com a função renal normal não costumam gerar maiores problemas. Todavia, a desidratação e a liberação de enzimas musculares inerentes a esforços físicos prolongados também podem prejudicar o rim, e durante o efeito dos antiinflamatórios esse efeito é potencializado”, explica o médico

De acordo com o Dr. Fabrício Braga, há uma confusão sobre o que é uma inflamação e até que ponto um antiinflamatório tem poder de prevenção. O médico explica que a dor é um dos sinais de inflamação, que pode estar sozinha ou junto de seus outros sintomas, que são o calor, o rubor e o tumor (ou edema).

“Alguns antiinflamatórios, como dipirona e paracetamol, são antitérmicos, outros, como o ibuprofeno, são analgésicos, proporcionando um efeito de melhor tolerância à dor. Por isso que se mantêm esses medicamentos no pós-operatório de várias cirurgias, mesmo que não haja dor imediata, com intuito de preveni-la. Excetuando alguns casos de dor de origem neurológica, a dor é em geral um sinal de inflamação. O que varia é a expressão clinica dos outros sinais e a intensidade da dor. Alguns casos podem ser resolvidos com uma Novalgina e outros precisam de uma droga mais potente. A forma mais segura é sempre consultar um profissional de saúde”.

Médica do exercício e do esporte e coordenadora médica de uma das principais academias do Rio, Silvia Lagrotta lembra que os riscos do uso constante de antiinflamatórios e até mesmo um simples analgésico podem ir desde um desconforto no estômago, nos casos mais leves, até sangramentos e arritmias cardíacas em casos mais graves. Segundo a médica, estes medicamentos só atuam quando o quadro inflamatório ou álgico (de dor) já estiver sido instalados.

“Sem dor ou inflamação, como você vai saber qual lugar irá surgir o desconforto e em qual intensidade? Não podemos usar medicamentos para a prevenção. Eles servem para alívio do quadro agudo ou tratamento nos casos crônicos. Além disso, a dor pode ser um quadro isolado ou consequente a um quadro inflamatório. Geralmente os analgésicos são usados para quadros de dor isolados, sem estarem associados a um quadro inflamatório, ou quando já se está em uso de antiinflamatório em doses máximas e ainda existe a presença de dor”.

O médico-atleta Fabrício Braga lembra que o controle da dor, com o advento dos antibióticos, foi um dos maiores avanços da medicina no século 20. Mas quem pratica atividade física prolongada deve estar atento ao abuso no uso de medicamentos de controle da dor.

“Ficar sentindo dor é coisa da nossa tataravó! Todavia quem faz atividade física vigorosa e prolongada tem que ter alguns cuidados com o uso de antiinflamatórios. Seu uso prolongado é uma causa comum de insuficiência renal crônica. Já tivemos medicamentos dessa classe que foram retirados do mercado por que seu uso prolongado foi associado há uma maior ocorrência de eventos cardiovasculares”, completa Fabrício.

A médica Silvia Lagrotta diz que o organismo pode desenvolver resistência a alguns medicamentos, por isso o seu uso deve ser somente quando necessário.

“Em longo prazo, o uso abusivo de medicamentos pode causar leses crônicas em diferentes partes do corpo. Há também chance de o organismo criar resistência aos medicamentos e você precisar de doses cada vez mais altas para lesões menores, aumentando assim as reações adversas e os efeitos colaterais das superdosagens”.

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